Construções da Baixada: Túnel Santos – Guarujá

Fala galera, tudo certo?! Bom, hoje não vou falar de uma construção da Baixada Santista, exatamente. Estou aqui para contar sobre uma “lenda” das construções da Baixada Santista… O Túnel Submerso de interligação entre Santos e Guarujá. Sim, essa obra que nunca saiu do papel e “assombra” o território caiçara com falsas esperanças, desde o final da década de 1920! Se você ficou interessado, role a tela pra baixo e continue lendo o artigo…

Tudo começou na época de Lampião…

Isso mesmo que você leu! O Túnel Submerso de interligação entre Santos e Guarujá não é uma ideia moderna. Ela surgiu em 1927, na época em que os nomes de Lampião e Luiz Carlos Prestes estampavam a capa do jornal A Tribuna.

Naquele tempo, o motivo que apresentaram para a implantação de tal construção foi o intenso tráfego de pessoas, que atravessavam o estuário todos os dias. Para que melhorasse e intensificasse ainda mais essa movimentação, foi pensado e projetado o túnel que ligaria Santos, Bocaina, Itapema e Guarujá.

Inicialmente…

O autor do projeto inicial foi o Engenheiro Enéas Marini, que em tal situação ficou com a incumbência de planejar, projetar e executar tal obra. De forma reduzida, a ideia do projeto dele era a seguinte:

“A via submersa começaria em Santos, no antigo Mercado Velho (nos fundos do Cemitério Paquetá, perto da Bacia do Mercado Novo), contornaria o canal de acesso ao mercado, atravessando as docas entre os armazéns 15 e 16, seguiria em linha reta em direção à atual estação das barcas de Guarujá. Tal via teria 900 metros de extensão e profundidade de 20 metros.

Seção Transversal do estuário, mostrando o nível d’água e trajeto do túnel. Fonte: Acervo do jornal “A Tribuna”

O túnel foi pensado para ter duas faixas (ida e vinda) de rolamento, sendo essas adaptáveis para o tráfego de qualquer tipo de veículo (bondes, ônibus, automóveis, carroças de tração animal etc.). Além da circulação de veículos, também foi pensada a construção de dois passeios para pedestres de 1,10m de largura e no meio das duas faixas de rolamento, teria uma galeria para a coleta de águas pluviais e de infiltração.

Seção Longitudinal do projeto do Túnel. Fonte: Acervo do jornal “A Tribuna”

O túnel seria construído com blocos de cimento armado, sendo esses colocados em cima de uma base sólida de concreto de ferro. Eles seriam isolados da água através de caixões metálicos, que dariam acesso aos blocos, permitindo sua união. Sua iluminação seria realizada artificialmente, assim como sua ventilação (através de respiradouros instalados de distância em distância) e o sistema de sucção nos extremos da via. O acabamento seria feito de cimento e o calçamento de asfalto.”

Mas o projeto não saiu do papel…

Devido aos orçamentos, questões sociais (como as desapropriações de moradores, por exemplo) e ambientais, o projeto de 1927 não saiu dessa fase. Desde lá para cá, já foram trocadas as ideias de construir um túnel ou uma ponte de interligação entre os dois municípios, diversas vezes.

O último projeto, do qual tenho conhecimento e vou falar agora, foi o apresentado em 2013, e comentado pelo Governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, que naquele ano veio até nossa região, prometendo tirar o projeto do papel. O projeto que, se sair do papel, será executado pela empresa Dersa, possui as seguintes características:

“O túnel será constituído de blocos pré-moldados, conhecidos como elementos de túnel. Esses elementos serão ligados, uns aos outros no fundo do mar, por intermédio de monitoramento eletrônico para posicioná-los com precisão milimétrica, em paralelo usando os conceitos físicos básicos, como força de empuxo e pressão.

Na parte de Santos, deverão ser interligados sete elementos de túnel, com mais de 100 metros de comprimento e 35 metros de largura cada um. Eles serão construídos em docas secas ou navios especializados para isso. Dentro deles, deverá haver três células: Nas extremidades, circularão automóveis, ônibus, caminhões e, também, o VLT; Já a central, será reservada para a circulação de pedestres e ciclistas.

Projeto e Simulação do Funcionamento do Túnel
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

Construção em detalhes…

O Jornal O Estado de São Paulo publicou um infográfico, edição de 27 de janeiro de 2013. Nele, mostrava os detalhes construtivos dessa obra. Vejamos a seguir, como tal construção será feita, se sair da fase de projeto, é claro…

1 – O solo será preparado para receber as peças pré-moldadas. Para isso, serão cavadas trincheiras no fundo do canal, exatamente no local no túnel. Então serão depositadas na vala da trincheira placas de concreto, a fim de suportar a carga do túnel.
2 – A construção das peças pré-moldadas de concreto armado, que constituirão o túnel, serão construídas em uma doca seca que, preferencialmente, será instalada próxima ao local do túnel.
3 – Com as peças prontas, a doca seca será inundada. Então, elas serão transportadas por rebocadores, flutuando, até o local de destino do túnel. Piscinas provisórias serão instaladas nas extremidades das peças, para ajudar com o equilíbrio do mesmo, com relação à água do canal.
4 – Então, as peças serão fixadas em pontes flutuantes e posicionadas por um sistema eletrônico no ponto exato, em que deverá ser imerso.
5 – A partir daí, começará o processo de submersão das peças. Para isso, a água dentro das piscinas provisórias serão bombeadas. Todo esse processo será guiado por sensores.
6 – A peça submersa será ligada a existente no local do túnel. Para isso, serão usados guinchos hidráulicos que tratarão de fazer o contato entre a peça existente e a nova.
7 – O encaixe entre a peça existente e a nova será realizada por meio da diferença de pressão atmosférica no interior da peça já posicionada e a pressão que a água exerce na nova peça.
8 – Para nivelar a nova peça, serão usados macacos hidráulicos ancorados em dois pontos em de uma das extremidades para movimentar os pinos de aço, a fim de nivela-la. Depois disso, os pinos serão soldados, os macacos, retirados e, no vão formado entre a placa de concreto e a parte inferior da peça, será injetada areia para o preenchimento do mesmo.
9 – Para finalizar, na parte superior do túnel será feita uma cobertura com pedras, para proteger a construção de possíveis impactos com as embarcações ou âncoras soltas ao mar.

Se a explicação não ficou muito clara, abaixo deixo disponível parte do infográfico, que ilustra bem o que eu acabei de descrever…

Infográfico com os detalhes construtivos do Túnel.  Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

Conclusão dessa bagunça toda…

Depois de anos e mais anos, o projeto, que tinha o ano passado como data de entrega, ainda está na estaca zero. Isso tudo por causa de questões políticas e financeiras, afinal, como já saiu em diversas mídias, o orçamento final para a implantação do túnel ficou em R$1,4 bilhões.Tal valor faz com que, esse túnel tenha o metro quadrado mais caro do mundo, quando comparado a outros túneis construídos no restante do planeta. E, por conta do alto valor, em 2015 o edital foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), após questionamento do mesmo. Vale lembrar que, a Dersa teve a liberação de R$ 938 milhões do BNDES, antes da suspensão do edital.

Então entre mudanças e mais mudanças (é túnel, é ponte, é túnel, é ponte…) de soluções para essa travessia, uma coisa é certa: O atual sistema de travessia existente, por meio de balsas, é insuficiente e deficiente para o tráfego diário entre as duas cidades. E, tal problema já se arrasta desde o século passado (quando meus avós nem havia nascido kkk).

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Até a próxima!

Amanda Lima.

 

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