Construções da Baixada: Rodovias Anchieta e Imigrantes… Como elas surgiram?

Fala galera, tudo certo?! Bom, hoje vou falar de uma construção, que influencia a vida de vários caiçaras todos os dias… Afinal, muitos de nós trabalhamos na Capital, devido a diversos fatores (por muitos anos, eu fiz parte dessa parcela da população do litoral paulista) e precisam subir e descer a serra, todo santo dia. E, para isso, passam todo santo dia por uma dessas rodovias: Anchieta ou Imigrantes. Então, borá descobrir um pouco da história desses dois marcos na história do Estado de São Paulo?

Tudo começou assim…

O primeiro caminho registrado na história, entre o Litoral e a Capital do Estado de São Paulo, foi aberto pelo Padre José Anchieta, no século XVI. E não pense que era moleza subir a serra, como é hoje… Por esse trajeto, em alguns pontos, era preciso agarrar algumas raízes para conseguir prosseguir. No século seguinte, já dava para fazer esse caminho com a ajuda de burros (coitados dos burrinhos kkkk).

Porém, a construção de uma rodovia de verdade só começou a acontecer no começo do século XX. Os estudos para tal feito foram iniciados no início do século passado. Daí, em 1929, a obra finalmente foi autorizada pelo presidente do Estado de São Paulo da época, Júlio Prestes.

Entretanto, como tudo no Brasil demora, o início dessa obra não foi diferente. Apenas em 1939 o start foi dado para a construção da primeira parte da Anchieta (a pista ascendente). O interventor do Estado de São Paulo nessa época era Adhemar de Barros. Os engenheiros responsáveis por esse projeto foram Ariovaldo Viana e Dario de Castro Bueno e, na época, a capacidade prevista para a pista era de 16 a 18 mil veículos, diariamente.

Caracterizada pelos seus 5 túneis, 58 viadutos pela sua extensão na Serra do Mar e imensa complexidade, a primeira parte da Rodovia Anchieta foi entregue em 1947, quando Adhemar de Barros era governador do Estado paulista. Não se sabe ao certo, quantos trabalhadores participaram dessa parte da obra. Mas, estima-se que tenha sido cerca de 2 mil operários. Pouco tempo depois, a parte Sul da rodovia foi entregue.

Por que construir uma rodovia, interligando a Capital com o Litoral?

Naquela época, esse trajeto (Litoral – Capital) era realizado pela ferrovia. Porém, com a expansão da economia, tal sistema de transporte não era o suficiente para suprir as necessidades econômicas e industriais. Infelizmente, não souberam gerir a inserção do sistema rodoviário com a manutenção do sistema ferroviário da época. Ao invés disso, investiram muito na construção das rodovias e “deixaram de lado” as ferrovias. E tudo isso por quê? Por causa de jogadas políticas, que incentivavam a modernização dos transportes rodoviários, que geravam mais lucros.

Que fique bem claro, eu não sou contra o crescimento do sistema rodoviário! Acredito apenas, que ambos os sistemas (rodoviário e ferroviário) poderiam ter andado de mãos dadas, crescendo juntos. Um não precisava ter “acabado” com o outro. Porém, fazer o que…

Continuando… A Rodovia Anchieta foi grande responsável pela modernização dos transportes rodoviários no nosso Estado… Diversas empresas de ônibus viram, na rodovia, uma oportunidade de crescimento no mercado, modernizando sua frota de veículos.

Mas e a Rodovia Imigrantes? Onde ela entra nesse jogo?

Construção da Rodovia dos Imigrantes.

1974. Esse foi o ano em que a Rodovia dos Imigrantes começou a ser construída. A primeira parte dessa obra foi a abertura de uma estrada de serviços, dando acesso à serra. 39 quilômetros de extensão de estrada foram construídos em concreto e asfalto, com 300 metros de pontes metálicas.

Tal obra foi entregue em 1976, sendo que, nessa época, apenas foi construída a pista ascendente. Nessa parte da obra trabalharam 15 mil operários (foi muita gente!!!) e 100 engenheiros. Vale lembrar que, os lugares, que serviram de acampamentos para os operários da obra, depois da conclusão da mesma viraram bairros, existentes até hoje! Sabe a Cota 400, em Cubatão? Ela foi um desses acampamentos…

Em 1998, ambas as rodovias foram privatizadas, na época do governo Covas. Ambas foram entregues à Ecovias, empresa que ficou com a concessão delas por 20 anos. E, além da responsabilidade da manutenção das duas, também ficou com o encargo de construir a pista descendente da Imigrantes.

Então, essa segunda parte da Imigrantes só foi construída em 2002, sendo que, ambas as pistas são reversíveis (isto é, podem ser usadas para subida e descida, dependendo da necessidade de tráfego). No geral, ela possui 44 viadutos, 7 pontes e 14 túneis, em 58,5 km de extensão, ligando São Paulo à Praia Grande.

Como ficou a Mãe Natureza nessa história…

Cerca de 1 milhão de metros de grama foram plantados pela extensão da Serra do Mar, que passa a rodovia. Entretanto, dados apontam que na década de 1970, dezesseis milhões de metros quadrados da Serra do Mar foram desmatados, para a construção da primeira parte da rodovia… Ou seja, um pouco desproporcional, não é?

Já em 2002, para a obra da segunda parte da rodovia, foram desmatados quatrocentos mil metros quadrados… Por essa razão, que os túneis e viadutos são tão extensos na descida da serra. A mãe natureza agradece!

Nunca mais reclame de comboios e transito intenso…

Você acha que, passar duas ou três horas subindo ou descendo a serra, é muito tempo? Pois saiba que, na primeira descida de carro de São Paulo até o litoral, antes da construção da Anchieta em 1908, um grupo de aventureiros demorou 36 horas para realizar o trajeto! Isso mesmo: os caras ficaram na estrada por um dia e meio para descer a serra! Esses doidos, aliás gênios, foram: o prefeito de São Paulo da época, Antônio Prado; o engenheiro Clóvis Glicério; o repórter do Estado Mário Cardim; o sertanista Bento Canabarro e dois profissionais da área da mecânica, que dirigiram os dois carros na aventura. Então, pense duas vezes antes de reclamar que o trânsito está lento na rodovia kkkk.

Bom galera, é isso aí!

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Até a próxima!

Amanda Lima.

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