Vamos falar de sondagem: Sondagem a Percussão

Fala galera, tudo bem? Bom, no post de hoje vamos falar sobre a Sondagem a percussão, mais conhecida como Sondagem SPT. Ela, que é a sondagem mais comum e utilizada no Brasil.

Antes de prosseguirmos, se você não leu o artigo anterior, em que escrevemos sobre a Sondagem Rotativa, clique aqui e confira! Agora, vamos parar com a enrolação e bora ao que interessa?!

O que é a Sondagem à Percussão?

Sondagem a Percussão, ou Sondagem SPT, é um método de investigação do solo utilizado para realizar o reconhecimento do subsolo. Ele nos dá informações sobre as camadas constituintes do subsolo e suas profundidades, o nível do lençol freático, a capacidade de carga que o subsolo aguenta em cada camada e o comportamento do mesmo ao receber essa carga.

A sigla SPT vem do inglês Standard Penetration Test, que significa Teste de Penetração Padrão. Os equipamentos necessários para a realização desse teste começaram a ser fabricados no Brasil na década de 1930, baseados em projetos e especificações trazidas dos EUA. Atualmente, ela é normatizada aqui no Brasil pela NBR 6484:2001.

Ela é identificada com a sigla SP, seguida de seu número indicativo, que deve ser crescente, não importando o local, fase ou objetivo da investigação. Se tiver a necessidade de mais de um furo num mesmo local, ele deve ser identificado pelo mesmo número que o primeiro, seguido por uma letra, começando pelo A, depois B, C, D, E etc..

 

Equipamentos necessários para a sondagem

Em síntese, são utilizados os seguintes equipamentos para a realização da Sondagem a Percussão:

  • Tripé equipado com sarilho, roldana e cabo;
  • Tubos metálicos de revestimento, com diâmetro interno de 63,5 mm (2,5”);
  • Hastes de aço para avanço da perfuração, com diâmetro interno de 25 mm;
  • Martelo de ferro para cravação das hastes de perfuração, do amostrador e do revestimento. Seu formato é cilíndrico e o peso é de 65 kg;
  • Conjunto motor-bomba para circulação de água no avanço da perfuração;
  • Trépano de lavagem constituído por peça de aço terminada em bisel e dotada de duas saídas laterais para a água a ser utilizada;
  • Trado concha com 100 mm de diâmetro e helicoidal com diâmetro de 56 a 62 mm;
  • Amostrador padrão de diâmetro externo de 50,8 mm e interno de 34,9 mm, com corpo bipartido.

Realização da Sondagem…

Através desse método descobrimos a resistência do solo, que medida pelo índice de resistência a penetração (SPT), determinado pela soma de golpes dados pelo martelo em queda livre, para cravar os dois últimos segmentos do amostrador padrão medindo 15 cm. O golpe do martelo equivale a um peso batente padronizado de 65 kg, caindo vertical e livremente a uma altura de 75 cm.

Primeiramente…

É feita uma perfuração vertical tendo Ø2,5” e profundidade que fica entre, geralmente, 10 e 20m (ela varia de acordo com o terreno e o tipo da obra). Até que se encontre água ou material resistente, a perfuração é avançada com um trado helicoidal.

Ao atingir um dos dois “obstáculos” citados anteriormente, a perfuração deve continuar através do uso de um trépano (usado para fragmentar o material presente no fundo do furo) e circulação de água, procedimento chamado de lavagem.

A cravação do trépano no fundo do furo é realizada por repetidas quedas da coluna de perfuração (hastes e trépano). O martelo cai a 30cm de altura, junto com um movimento de rotação, feito manualmente da superfície com uma cruzeta conectada ao topo da coluna de perfuração. A água é injetada no furo sob pressão pelos canais da haste. Tal água circula pelo furo e arrasta os resíduos da perfuração para a superfície. Quando as paredes do furo se apresentam coesas, são utilizados tubos de revestimento.

Prossegue-se com a sondagem dessa forma até a profundidade especificada pelo projetista, baseando-se na norma, ou até o alcance de materiais como rochas, matacões, seixos ou cascalhos de diâmetro grande.

Enquanto acontece a perfuração, a cada metro avançado é efetuado o ensaio de penetração, em que se crava o amostrador no fundo do furo. Dessa forma, mede-se a resistência do solo e se coleta as amostras. O amostrador é cravado por impacto de uma massa metálica com 65kg, caindo livremente a 75cm de altura. O índice de resistência a penetração (SPT), medido no teste, equivale à quantidade de golpes precisos para a penetração dos últimos 30cm do amostrador no fundo do furo.

Quando o solo for muito mole, é anotada a penetração do amostrador (em cm), ocorrente no momento em que a massa, simplesmente, apoia-se no ressalto. No caso de penetração por batida (quando o solo está em condições normais), é contado o número de golpes dados, a cada 15cm em que se penetra o amostrador.

Quando se deve parar o teste?

Devemos prosseguir com o ensaio, caso ocorram as três situações citadas abaixo:

  • Ao termos em 3m consecutivos o SPT=45/15;
  • Ao termos em 4m consecutivos o SPT=45/30;
  • Ao termos em 5m consecutivos o SPT=45/30 e 45/45;

*SPT= Número de golpes/espaço penetrado pelo amostrador.

Quando não tivermos penetração, após a sequência de 5 impactos do martelo, podemos interromper o ensaio. Porém se isso ocorrer antes de alcançarmos os 8m de profundidade, será preciso deslocar a sondagem ao máximo de 4 vezes em posições diametralmente opostas, com distância de 2m da sondagem inicial.

Quantos furos devem ser feitos em uma Sondagem a Percussão?!

O número de furos é normatizado pela NBR 8036/83 – Programação de sondagens de simples reconhecimento dos solos para fundações de edifícios. Nela fala que o número de perfurações a serem realizadas, de acordo com a dimensão da edificação, deve ser de:

  1. No mínimo, 1 furo a cada 200m² de área da projeção em planta da construção, para áreas até 1200m²;
  2. Para áreas de 1200m² até 2400m², realizar 1 perfuração a cada 400² excedentes aos 1200m² iniciais;
  3. Para áreas superiores a 2400m², o número de furos devem ser estipulado pelo planejamento da construção.
  4. Para áreas de projeção em planta da construção de até 200m², devem ser feitos, no mínimo, 2 perfurações. E, para áreas de 200 a 400m², devem ser realizadas 3 furos, no mínimo.

E depois? Como são apresentados os resultados disso tudo?

Depois da extração das amostras, as mesmas são postas em frascos herméticos, para manter suas propriedades, como umidade e estrutura geológica “intactas”, identificadas e mandadas para análise.

De acordo com os SPT obtidos, podemos ter uma noção sobre a consistência do solo existente no local e o estado de compacidade de suas camadas. Podemos ver isso, na tabela abaixo:

Após a análise, a empresa que executou a sondagem emite um relatório. Tal relatório conterá as informações da sondagem separadas por cada furo. Na página (ou páginas) correspondentes a cada furo serão inseridos dados como:

  • Os SPT de cada camada do subsolo;
  • O perfil geológico;
  • A profundidade da camada;
  • A descrição do material coletado por camada;
  • O nível d’água;
  • Além do gráfico SPT.

No caso de sondagem mista (quando são realizadas as sondagens a percussão e rotativa juntas), também são acrescentadas ao relatório informações como o índice de qualidade da rocha, seu grau de alteração, coerência e faturamento etc.

Abaixo, temos a página de um relatório de sondagem, para você ver como o resultado é entregue ao cliente:

Fonte: http://www.sjc.sp.gov.br/media/536339/anexo_05.a._boletim_de_sondagem.pdf

Lembrando que…

Todo procedimento deve ser realizado por equipe especializada e acompanhado por um responsável técnico HABILITADO. Além disso, toda documentação deve vir acompanhada de ART, senão a mesma não possui valor algum.

Bom galera, por hoje é isso aí! Bem, se você gostou dessa postagem, compartilhe com suas redes de contato, propague a informação por aí! Afinal, sua dúvida pode ser a mesma que a de outras pessoas que você conheça. E se você ainda não é inscrito, inscreva-se no nosso Blog e receba as nossas atualizações, beleza? Agora, se você já é inscrito e gostou ou não dessa postagem, deixe um feedback aqui embaixo. Sua opinião é muito importante para a evolução do nosso conteúdo.

Até a próxima!

Amanda Lima.

 

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