Por que é importante conhecer o cimento?

Fala galera, tudo certo?! Bom, hoje vamos falar um pouco sobre nosso amado Cimento Portland. Entretanto, não vou entrar em méritos históricos, ou contar como o mesmo é fabricado… Afinal, já existem muitos materiais EXCELENTES por aí, abordando esses pontos. Nesse artigo, quero refletir com você, caro leitor, sobre a importância do conhecimento sobre os tipos de cimentos existentes hoje, no mercado. Afinal, engana-se quem pensa que cimento é tudo igual.

Entendendo a sigla existente na embalagem do cimento…

Você sabe o que significa

aquela sigla, que existe no saco de cimento? Ela é a chave para você saber, qual tipo de cimento está levando para sua obra…

Como a própria imagem já mostra, a primeira parte da sigla é o nome do material, ou seja, Cimento Portland. O número romano, seguido da letra, é a tipologia do material, de acordo com as adições em sua composição. E o número no final, significa a classe de resistência do CIMENTO (em MPa), obtida através de ensaio no laboratório. Em síntese, são moldados corpos de prova com uma argamassa composta de uma medida do cimento analisado para três de areia. Esses corpos de prova são, então, submetidos ao ensaio de compressão (já citado aqui no blog) em 1, 3, 7 e 28 dias. O resultado mínimo alcançado ao 28º dia é a classe de resistência do cimento.

Agora que entendemos a sigla na embalagem do cimento, vamos explorar um pouquinho, a tipologia dos materiais adicionados ao mesmo…

Fonte: Site Equipe de Obra

Ele é o que chamamos de Cimento Portland Comum (CP I), pois o mesmo é composto apenas por clínquer e gesso (o gesso, na composição do cimento, funciona como um retardador da pega). Esse tipo de cimento, ainda, pode receber uma pequena porcentagem de material pozolânico (de 1 a 5%), sendo denominado CP I-S. Sua classe de resistência, de acordo com a NBR 5732, pode ser de 25 MPa, 32 MPa e 40 MPa. Ele é indicado para construções sem condições especiais e que não sejam submetidas a agentes agressivos, como águas subterrâneas, esgotos, água do mar ou sulfatos.

Cimento Portland Tipo II:

Esse tipo de cimento recebe a adição de materiais de baixo custo de produção, conferindo propriedades especiais ao cimento. A norma correspondente a esse tipo de cimento é a NBR 11578, que determina as resistências ao mesmo de 25 Mpa, 32 Mpa e 40 Mpa. Existem 3 subtipos de cimentos fabricados a partir do CP II, classificados de acordo com o material adicionado:

Cimento Portland com Escória Granulada de Alto-Forno (CP II-E):

Fonte: Equipe de Obra

Nesse tipo de cimento é adicionada a escória granulada de alto-forno, na proporção que varia de 6 a 34%, conferindo baixo calor de hidratação ao cimento. Esse tipo de cimento é indicado para a construção de estruturas, que exijam um desprendimento de calor moderadamente lento e que tenham a possibilidade de serem atacadas por sulfatos

Cimento Portland com Pozolana (CP II-Z):

Fonte: Site Equipe de Obra

Para esse tipo de cimento, é adicionada a pozolana, em proporções que variam de 6 a 14%, dando menor permeabilidade à pasta em que são aplicados. Ele é indicado para construções subterrâneas, marítimas e com presença de água de modo geral, pré-moldadas e compostas por concreto protendido

Cimento Portland com Fíler (CP II-F):

Fonte: Site Equipe de Obra

Nesse tipo de cimento é adicionado material carbonático, também conhecido como Fíler, em proporções variando de 6 a 10%. Ele é indicado para preparação de concretos e argamassas de assentamento, entretanto que esses não sejam em ambientes agressivos.

Cimento Portland Tipo III:

Fonte: Site Equipe de Obra

Ele é o Cimento Portland de alto-forno, que contém em sua composição a adição de escória, variando de 35 a 70%. Nessas proporções, tal material garante ao cimento: baixo calor de hidratação, maior impermeabilidade, durabilidade e maior resistência a sulfatos às misturas em que é empregado. A norma que estabelece as diretrizes desse material é a NBR 5735.  De acordo com tal norma, esse cimento pode ter 3 classificações, conforme sua resistência, sendo essas 25 MPa, 32 MPa e 40 MPa.

Esse cimento é indicado para obras de grande porte, sujeitas a condições de alta agressividade, como barragens, fundações, tubos para condução de líquidos agressivos, esgotos e efluentes industriais, concretos com agregados reativos, obras submersas, pavimentação de estradas, pistas de aeroportos. Esse tipo de cimento é comumente comercializado à granel e sob encomenda, por ser utilizado em obras que exijam grandes quantidades do mesmo.

Cimento Portland Tipo IV:

Fonte: Site Equipe de Obra

Chamado de Cimento Portland Pozolânico, contém a adição de pozolana nas proporções variando de 15 a 50%. Tal material confere ao cimento características como alta impermeabilidade e maior durabilidade. A norma que corresponde a esse material é a NBR 5736 e estabelece ao mesmo a classificação, quanto a sua resistência de 25 Mpa e 32 Mpa. Ele é indicado para construções expostas à ação de águas correntes e ambientes agressivos. Em longo prazo, ele aumenta a resistência mecânica à compressão do concreto, se comparado a concretos feitos com Cimento Portland comum.

Cimento Portland Tipo V – ARI:

Fonte: Site Equipe de Obra

O Cimento Portland de Alta Resistência Inicial não contém adição de outros materiais, assim como o CP I. Sua diferenciação está na dosagem de argila na composição do Clínquer. Além disso, sua moagem é mais fina, se comparada aos demais cimentos, tendo como consequência uma hidratação mais rápida do material gerado. Tais características de fabricação resultam em um material com alta resistência inicial, nas primeiras idades dos concretos constituídos por ele. O concreto feito, a partir desse tipo de cimento, pode atingir a resistência mínima de 14 MPa no 1º dia, 24 MPa com a idade de 3 dias e 34 MPa com 7 dias de idade.

Esse cimento é indicado para obras, em que há a necessidade de desforma rápida, na confecção de elementos pré-moldados, blocos, postes, tubos, entre outros. A norma técnica que estabelece as diretrizes para esse cimento é a NBR 5733.

Cimento Portland Resistente a Sulfatos (RS):

Fonte: Site Breithaupt

O Cimento Portland Resistente a Sulfatos, como o próprio nome já sugere, é aquele que tem como característica a resistência aos meios sulfatados, como redes de esgoto de águas servidas ou industriais, meio marinho e até alguns tipos de solos. Conforme dito na NBR 5737, quaisquer uns dos cinco tipos de cimento citados, anteriormente, podem ser considerados resistentes a sulfatos, desde que atendam, ao menos, uma dessas condições abaixo:

  • Teor de aluminato tricálcico (C3A) do Clínquer e o teor de adições carbonáticas de, no máximo, 8 a 5% em massa, respectivamente;
  • Cimentos de alto-forno composto de 60 a 70% de escória granulada de alto-forno, em massa;
  • Cimentos do tipo pozolânico, compostos de 25 a 40% de material pozolânico, em massa.

Cimento Portland de Baixo Calor de Hidratação (BC).

Cimentos com essa característica têm como principal objetivo, retardar o desprendimento de calor em peças de concreto de grande porte, evitando assim, o aparecimento de fissuras originadas termicamente, durante a hidratação do concreto.

Conforme a NBR 13116, os cimentos são classificados como BC se geram de 260 J/s até 300 J/s aos 3 e 7 dias de hidratação, respectivamente. Qualquer uma das cinco classes, anteriormente, citadas pode ser considerada BC, se a mesma tiver tal característica, como por exemplo, o CP III-32 (BC) – Cimento Portland de alto-forno com baixo calor de hidratação.

Cimento Branco (CPB):

Fonte: Site Leroy Merlin

O Cimento Portland Branco (CPB) se diferencia dos demais tipos de cimento pela sua coloração. Tal característica vem da matéria prima utilizada em sua fabricação – usa-se caulim ao invés de argila na composição do Clínquer, que possui um baixo teor de óxido de ferro e manganês. Além disso, ainda há as condições especiais em sua fabricação, em especial nas etapas de resfriamento e moagem do produto.

Ele possui dois tipos de classificação, de acordo com a NBR 12989 (norma que estabelece as diretrizes, para esse tipo de cimento): cimento Portland branco estrutural e cimento Portland branco não estrutural. No primeiro tipo, ele tem a proporção de Clínquer branco mais gesso variando de 100 a 75% em sua composição e de 0 a 25% de material carbonático. Já o segundo tipo, é composto de 74 a 50% de Clínquer branco mais gesso e de 26 a 50% de material carbonático.

Ainda de acordo com a norma, o CPB estrutural possui as classificações de resistência de 25 MPa, 32 MPa e 40 MPa. Ele pode ser utilizado para fins arquitetônicos. Já o CPB não estrutural não possui indicação de classe, sendo aplicado, por exemplo, no rejuntamento de revestimentos e fabricação de ladrilhos hidráulicos (fins não estruturais). Em sua embalagem, vem especificado seu aspecto não estrutural, a fim de que o consumidor tenha bem clara tal informação e não o utilize de forma incorreta.

Concluindo…

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Até a próxima!

Amanda Lima.

 

 

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