Construções da Baixada: Ponte Pênsil

Fala galera, tudo certo?! Bom, nessa nova série de postagens, falarei sobre algumas das obras mais importantes da nossa amada Baixada Santista. E, começarei com uma verdadeira obra prima vicentina, um ponto histórico e turístico da nossa cidade… A nossa querida Ponte Pênsil. Entenda como e porque a mesma foi construída, nas próximas linhas…

Quando tudo começou…

Tudo começou no final do século XIX. Uma onda de epidemias, das mais variadas doenças, assombrava nossa região, principalmente, Santos e São Vicente… Febre amarela, tuberculose, varíola, impaludismo, sarampo, gripe e febre tifoide. Então, após alguns anos de discussão sobre os motivos de tudo isso, chegou-se à seguinte conclusão: SANEAMENTO. Afinal, a região tinha expandido, a população havia aumentado e as condições ambientais eram péssimas, na época.

A partir disso, entra em ação uma figura muito conhecida em nossa região, o Engenheiro Sanitarista, Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, chefe da Comissão de Saneamento de Santos. Ele elaborou todo o plano de saneamento para ambas as cidades, Santos e São Vicente. Tal plano consistia em dois sistemas: um para a coleta do esgoto e outro para as águas pluviais. Nesse plano, inicialmente, a rede de esgoto seria finalizada em uma estação terminal, onde hoje é localizado o bairro José Menino. Entretanto, pela necessidade dessa rede ser levada mais adiante, em São Vicente, a solução encontrada foi trazer esse esgoto até a ponta do Morro Itaipu (atual Praia Grande). Mas, como essa rede seria levada até lá?

A resolução para tal problema foi a construção de uma ponte sobre o Mar Pequeno. Essa deveria ser capaz de sustentar essa tubulação (que era BEM pesada, diga-se de passagem). Então, após estudos sobre a região escolhida para receber a ponte (entre as pontas do Tumiaru e Japuí), concluiu-se que a melhor solução seria seguir a tendência da época: a construção de uma Ponte Pênsil!

Por que uma Ponte Pênsil?

A construção de uma Ponte Pênsil foi aprovada devido às condições do local onde a ponte passaria. Embora a região apresentasse boas condições para a elaboração da fundação, possibilitando a construção de apoios direto na rocha, a garganta marítima daquele ponto era muito profunda, tendo 15 metros. Então, a ponte a ser construída, teria de possuir um grande vão, sem suportes intermediários. Daí, que nasceu a ideia da Ponte Pênsil.

A empresa contratada para elaboração do projeto da ponte foi a Trajano e Medeiros & Cia., em consórcio com uma firma de Dortmund, na Alemanha. O autor do projeto foi o engenheiro alemão August Kloene. Nesse projeto era previsto um vão de 180 metros entre torres, com 6,4 m de largura e 5 de altura acima da maré máxima. Nos primeiros layouts mostrava a ponte com uma seção transversal, duas tubulações com diâmetro inferior a 1 metro apoiadas sobre o tabuleiro e, entre essas, uma passarela para a circulação de pedestres (atualmente, há duas passarelas).

Fonte: http://pontepensil.blogspot.com.br/

A construção dos pontilhões foi iniciada em 1911, em ambas as pontas (Tumiaru e Japuí). Já as peças da ponte foram transportadas da Alemanha para o Brasil. Isso ocorreu entre os anos 1912 e 1913, por DEZ navios alemães… Erlanger, Benn, Halle Grefeld, Treassry, Granhandel, Jarseberg, Anversolse, R. Argentina, Lengeise e Merineir.

A inauguração da Ponte Pênsil ocorreu no dia 21 de maio de 1914.

Essa brincadeira custou quanto?

A ponte em si, ou seja, sua parte metálica custou, na época, 10.800 libras esterlinas, equivalentes assim, a 15.162 contos de réis (dinheiro válido no Brasil). Além disso, ainda foram gastos 21.000 contos de réis com o madeiramento em geral.

Com o investimento inicial, a ponte era capaz de suportar a passagem de dois veículos apenas, pesando esses 6 toneladas, cada um. Para sua capacidade ser elevada, gastou-se 78 contos e 750 mil réis na tubulação, 250 mil réis na montagem e 14 contos de réis no assoalho.

Cuidados com a construção…

Após dois anos de sua inauguração, reparou-se que a ponte estava começando a apresentar aspectos de envelhecimento. Então, a mesma fora pintada e passou a receber tal cuidado de dois em dois anos. Em 1932, ela fora toda raspada e picotada, para o recebimento de uma nova dose de tinta.

Durante as décadas de 1960 e 1970 os cuidados com a ponte foram intensificados, com reforços em suas bases e nova pintura. Pensaram em, até, interditar a ponte. Entretanto, descartaram a hipótese. Isso, devido ao prejuízo que tal atitude traria ao fluxo de transito de veículos para o Litoral Sul.

Em 1994, quando a construção completou 80 anos, a mesma fora tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arquitetônico e Artístico Nacional (Condephaat), ganhando um sistema de iluminação que a destaca no cenário vicentino noturno.

No ano de 1999, ela passou por uma nova reforma, que a preparou para continuar a aguentar o tráfego de veículos da virada do século.

A última reforma, que a ponte recebeu, foi uma completa restauração, que durou de 2013 a 2015, em comemoração ao seu centenário. A obra consistiu na troca de 16 cabos de sustentação (256 metros de extensão) importados da Itália, em reparos nas torres, na troca do antigo tabuleiro de madeira por um piso menos escorregadio, além de uma pintura mais resistente à corrosão.

Fonte: Jornal A Tribuna

Essa reforma, que deveria ter sido entregue em maio de 2014, durou 27 meses e custou aos cofres públicos mais de 33 milhões de reais.

Conclusão…

A Ponte Pênsil vicentina foi a primeira dessa categoria a ser construída no Brasil. E, apesar da mesma ter sido projetada por causa do sistema de esgoto, ela trouxe o desenvolvimento para o Litoral Sul, permitindo a expansão urbanística naquela região. Além disso, até hoje a mesma é muito importante para o tráfego de veículos e pedestres que moram ou precisam passar por ali, todos os dias. Razão pela qual a interdição da ponte entre 2013 e 2015 causou grandes transtornos a nossa cidade, em geral.

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Até a próxima!

Amanda Lima.

 

 

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