Ensaio de Compressão de corpos-de-prova cilíndricos (NBR 5739) + Procedimento para moldagem e cura de corpos-de-prova (NBR 5738)

Fala galera, tudo certo?! Bom, como já diz no título, esse artigo será o combo de duas normas muito conhecidas, pela nossa amada engenharia civil! Afinal, não dá para explicar o ensaio de compressão do concreto, sem antes explicar como são moldados os corpos-de-prova, não é verdade?!

Então, vamos parar com a enrolação e bora ao que, realmente, interessa!

Por que realizar o Ensaio de compressão do concreto?!

Já havíamos escrito um post curto sobre esse assunto na nossa Page do Facebook. Entretanto, esse é um assunto que merece, e muito, a nossa atenção!

Quando realizamos o ensaio de compressão do concreto, estamos, basicamente, conferindo se aquele material está seguindo a especificação exigida em projeto. É comum dentro de uma obra, ser realizado o controle tecnológico do concreto. Tal procedimento visa, justamente, verificar o fck(resistência à compressão do concreto, medida em MPa) do concreto que chegou na obra.

Fonte: http://postes.com.br/qualidade

Como devem ser moldados os Corpos-de-prova…

De acordo com a NBR 5738 – Concreto — Procedimento para moldagem e cura de corpos de prova, para a moldagem das amostras, deve-se seguir os seguintes procedimentos:

  • Os moldes a serem usados, se forem cilíndricos, devem possuir as seguintes medidas em seu diâmetro: 10 cm, 15 cm, 20 cm, 25 cm, 30 cm ou 45 cm. Sendo que, a tolerância para as medidas diametrais é de 1%, e para altura, 2%.
  • O preparo da amostra, a ser usada no ensaio, deve seguir os padrões exigidos pela norma NBR NM33 – Concreto – Amostragem de concreto fresco. Não vamos falar sobre a preparação do concreto em si, senão o artigo ficará extremamente grande… Mas se você tiver qualquer dúvida sobre esse procedimento, é só ler essa norma! É um documento bem simples, eu garanto!
  • Devem ser anotadas as seguintes informações sobre o concreto: a data, a hora de adição da água de mistura, o local de aplicação do material, a hora da moldagem e o abatimento obtido (slump).
  • O CP deve ter o tamanho, no mínimo, três vezes maior do que a dimensão nominal máxima do agregado graúdo utilizado no concreto. As partículas do agregado graúdo que forem superiores a essa dimensão nominal máxima, deverão ser descartadas do procedimento, via peneiramento (NBR NM36).
  • Antes de começar a moldagem, os moldes devem ser revestidos, internamente, com uma fina camada de óleo mineral ou qualquer outro lubrificante, desde que esse não tenha reação em contato com o cimento.
  • Os moldes precisam serem apoiados sobre uma superfície rígida, horizontal e imóvel (nada de vibrações nessa hora!).
  • Com o molde no lugar certinho, é hora de iniciar a moldagem! Remisture o concreto, para que a massa fique o mais uniforme possível e vá depositando a mesma nos moldes com uma concha. O número de camadas depositadas e de golpes com a haste, para o adensamento manual, devem seguir a tabela abaixo:

  • Garanta que o concreto seja introduzido de forma simétrica no molde e nivele o mesmo com a haste, antes do adensamento.
  • O adensamento do CP pode ser feito manualmente ou através do uso de um vibrador de imersão (mecanicamente). A escolha do método é baseada no resultado do abatimento do concreto, conforme a tabela abaixo:

  • Ao realizar o adensamento da primeira camada, deve-se ter o cuidado de não atingir a base do molde. Nas camadas seguintes, o adensamento atinge toda a camada a ser adensada, mais 20mm da camada anterior. Também é preciso que se dê batidinhas leves na parte de fora do molde, para tirar as possíveis bolhas de ar formadas no meio do material.
  • Ao realizar o preenchimento da última camada, deve-se por uma quantidade a mais de concreto, a fim de que, ao finalizar o adensamento, de para fazer o rasamento do molde. Não se pode, em hipótese alguma, por mais concreto no molde, depois do adensamento da última camada!
  • Para realizar o rasamento, pegue uma régua metálica ou colher de pedreiro e passe na borda do molde, para retirar o excesso de material e nivela-lo.
  • Preferencialmente, os CPs devem ser moldados nos locais onde serão armazenados. Entretanto, quando isso não for possível, o transporte dos mesmos deve ser realizado da forma mais tranquila possível (sem muito movimento/trepidação), para evitar a perturbação do concreto. Depois que o material endurecer, é preferível que eles permaneçam dentro dos moldes no seu transporte. Porém, caso não haja essa possibilidade, após desenforma-los, eles devem ser postos em caixas rígidas, com serragem ou areia molhada dentro das mesmas.
  • No período de cura inicial (24h para CPs cilíndricos), os CPs devem permanecer em um local livre de intempéries, coberto totalmente com material que não reaja com o concreto, nem absorvente. Tal procedimento é para evitar que o concreto sofra perda de água.
  • Após a cura inicial, os CPs devem ser desmoldados e devidamente identificados. Daí, depois da desmoldagem, os CPs devem permanecer, até o momento do ensaio a compressão, em solução saturada de hidróxido de cálcio a 23±2°C ou depositados na câmara úmida, numa temperatura de 23±2°C, com a umidade relativa do ar superior a 95%. Os CPs não devem ser expostos a água em movimento (gotejamento, por exemplo), nem ser empilhados durante o armazenamento.
  • Antes de um CP ser levado para o ensaio, ele deve ter suas bases niveladas. Tal nivelamento pode ser realizado através de retificação (quando meios mecânicos são usados para tal finalidade), ou capeamento (quando um material químico, que seja compatível com o concreto, é utilizado para esse fim).
  • Depois desses 16 passos, você tem um corpo de prova pronto para o Ensaio de compressão!

Hora de romper alguns Corpos de prova…

Bom, com os CPs em mãos, em suas idades adequadas para o ensaio, o mesmo deve ser realizado, de acordo com a NBR5739 – Concreto – Ensaio de compressão de corpos de prova cilíndricos.

  • Antes de tudo, as medidas de altura e diâmetro do CP devem ser tomadas. Para o diâmetro, deve-se tirar a média de dois diâmetros, medidos, ortogonalmente, na metade da altura do CP. Esse diâmetro será usado para calcular a área da seção transversal e deve ter exatidão de±0,1mm.
  • De acordo com a tabela a seguir, essas são as tolerâncias de tempo permitidas para a realização do ensaio, em função da idade do CP. Essa idade é contada a partir da hora da moldagem:

  • Antes de posicionar o CP na prensa hidráulica, deve se certificar se as bases do equipamento e do material a ser ensaiado estão secas e limpas. Depois disso, posicionar o material no centro do prato inferior da prensa, buscando auxílio com os círculos concêntricos de referência.
  • Escolher a escala de força a ser utilizada de tal forma que, a força de ruptura do CP aconteça no intervalo de tempo em que o equipamento fora calibrado.
  • Agora deve-se aplicar o carregamento, continuamente e sem choques, sobre o CP, na velocidade de carregamento igual a 0,45±0,15 MPa/s. Essa velocidade precisa ser mantida, durante TODO o ensaio.
  • Parar o carregamento SOMENTE quando acontecer a ruptura do corpo de prova.

Mas, o que acontece depois disso?

Após a ruptura do CP, devemos realizar o seguinte cálculo, com as informações do diâmetro e da força máxima alcançada:

Em que:

fc= Resistência a compressão (MPa)

F= Força máxima alcançada (N);

D= Diâmetro do CP (mm).

Vale lembrar que, para esse ensaio, os CPs não podem ter a relação altura/diâmetro inferior a 1,94. Caso isso ocorra, será necessário o uso do fator de correção na hora do cálculo. Esse fator de correção deverá ser multiplicado por F, de acordo com a relação obtida (h/d):

O relatório a ser apresentado deve possuir as seguintes informações: número de identificação do CP, data da moldagem, idade do CP, data do ensaio, dimensões do CP, tipo de capeamento empregado, classe da máquina usada no ensaio, resultado da resistência a compressão (fc) de cada CP e do exemplar e o tipo de ruptura do CP, sendo a última informação, opcional.

A norma ainda nos mostra, em seu anexo, uma ilustração dos tipos de ruptura que o corpo de prova pode apresentar, conforme a imagem abaixo:

Só fazendo uma observação, antes de encerrar esse post (afinal, ele já ficou muito longo! KKK): Não coloquei as informações sobre CP prismáticos de propósito. Por que fiz isso? Por causa do tamanho desse artigo! Afinal, falando apenas de um único tipo de CP, ele já ficou extenso demais… Imagina se eu falasse dos dois tipos?! Mas, se for interessante a você, caro leitor, posso escrever outra postagem, só falando do ensaio a compressão para corpos de prova prismáticos, beleza?

Bom galera, por hoje é isso aí! Bem, se você gostou dessa postagem, compartilhe com suas redes de contato, propague a informação por aí! Afinal, sua dúvida pode ser a mesma que a de outras pessoas que você conheça. E se você ainda não é inscrito, inscreva-se no nosso Blog e receba as nossas atualizações, beleza?

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Até a próxima!

Amanda Lima.

 

 

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