Impermeablizantes – Capítulo 3 – Mantas Asfálticas

Classificação

As mantas asfálticas são classificadas pela norma técnica ABNT NBR 9.952:2.014 em categorias, conforme espessura (de 3 a 4 mm), resistência à tração e alongamento, absorção de água máxima, flexibilidade, resistência ao impacto, escorrimento à temperatura, envelhecimento acelerado, estanqueidade (em m.c.a.) e resistência ao rasgo.

As mantas, também, podem ser classificadas, conforme desempenho, tipo de asfalto e de revestimento. Isso pode ser observado, conforme especificações no quadro abaixo.

Classificação quanto ao DESEMPENHO

Classificação quanto ao TIPO DE ASFALTO

  •  Elastomérico: elementos que, adicionados ao asfalto, conferem mais elasticidade à manta.
  • Plastomérico: elementos que, adicionados ao asfalto, conferem maiores resistências mecânica, térmica e química.

Classificação quanto aos REVESTIMENTOS

  • Polietileno: aplicação com maçarico.
  • Areia: aplicação com maçarico e asfalto à quente.
  • Alumínio: utilizado em lajes sem proteção mecânica e sem trânsito de pessoas ou veículos. O alumínio na face exposta é refletivo e garante relativo conforto térmico.
  • Geotêxtil: utilizado em lajes sem proteção mecânica e sem trânsito de pessoas ou veículos. O geotêxtil na face exposta é preparado para receber pintura refletiva.
  • Ardosiado: utilizado em lajes sem proteção mecânica e sem trânsito de pessoas ou veículos. O revestimento em ardósia na face exposta dá acabamento e protege a manta contra a ação dos elementos climáticos.
  • Antirraiz: para uso em floreiras. Esta manta recebe produtos, que inibem o crescimento das raízes, impedindo que estas danifiquem a manta.

Recomendações De Aplicações

  • Manta Asfáltica SIMPLES (uma camada) de TIPO II: Lajes NÃO em balanço, com área de até 10 m², banheiras, banheiros e demais áreas internas menores do que 10 m².
  • Manta Asfáltica SIMPLES (uma camada) de TIPO III: tampa de caixa d´água e áreas de cobertura (expostas), com área superior à 10 m².
  • Manta Asfáltica DUPLA (uma camada de manta tipo II e outra de tipo III): lajes de térreo com revestimento nobre, rampas, cisternas de contenção e aproveitamento, caixas d´água internamente, laje de cobertura sobre apartamentos e etc.
  • Manta Asfáltica Aluminizada: lajes de cobertura de pequenas dimensões e sem trânsito de pessoas.

Aplicação Do Impermeabilizante – Preparação De Superfícies:

Varandas, terraços e demais pisos

Executar os cortes nos rodapés, a uma altura mínima de 0,40 m do nível do piso acabado, para permitir um melhor encaixe da impermeabilização.

Se possível, já executar a alvenaria nesta altura recuada, com tijolos de espessura menor, para evitar serviços de escarificação e desperdício de materiais (não conseguimos larguras inferiores para alvenarias de e=9cm).

A tubulação de esgoto de 100mm para o ralo deve estar, adequadamente, chumbada na laje de concreto armado e cortada rente ao piso.

Regularizar a superfície, com aplicação de argamassa, constituída por cimento e areia, no traço volumétrico de 1:3, dando caimentos para ralos e condutores, com acabamento desempenado, sem queimar.

As paredes devem ser regularizadas, até altura de 40 cm a partir do piso, com aplicação prévia de 72 horas de chapisco.

Todos os encontros entre pisos e paredes, cantos e ângulos vivos serão arredondados (utilizar tubo de esgoto de 100mm para tal).

Para caixas d´água, cisternas ou caixas de retenção de cheias ou de reaproveitamento em concreto.

Pisos

Quando houver poucas irregularidades, raspar rebarbas e reparar quaisquer outras imperfeições em pisos com ACII exterior.

Quando houver muitas irregularidades, executar espécie de contrapiso pouco espesso com argamassa mista de cimento e areia no traço volumétrico de 1:3.

Paredes

Preparar, somente, as paredes com utilização de argamassa colante ACII exterior.

Para todas as preparações acima

Raspagem de rebarbas e saliências e limpeza geral das superfícies.

Aplicação Do Primer

Para aplicação de PRIMER em superfícies de alvenaria ou concreto regularizadas com argamassa mista de cimento e areia, há um consumo médio de 0,4 litros / m².

Para aplicação do Primer, a superfície a ser impermeabilizada deve estar preparada (item 2.1 – sem irregularidades e com cantos arredondados – preparação curada/seca – 3 dias de cura) limpa (isenta de poeiras) e seca superficialmente.

O primer é aplicado puro, com pincel ou rolo de pintura de lã de carneiro em uma única demão, aguardando a secagem por um período mínimo de 6 horas, antes da aplicação do sistema de impermeabilização.

O produto deverá ser homogeneizado antes e durante a aplicação.

Recomendações de aplicação

Recomenda-se não aplicar o produto em tempo chuvoso e substrato molhado. Deve-se evitar, também, a aplicação sobre marcações existentes como pinturas, termoplásticos e outros.

Por ser um produto aplicado sob ação de temperatura. Utilize vestimentas e EPI’s adequados.

Recomendações de Segurança:

Antes de iniciar o trabalho, consulte a FISPQ do produto.

Durante a aplicação, principalmente em ambientes fechados, utilize EPI´s adequados: luvas de raspas, botas, magotes, óculos de segurança, mantendo o ambiente ventilado, até a secagem completa do produto.

Em ambientes fechados, é obrigatório o uso da ventilação forçada e máscara semifacial com filtro adequado para vapores orgânicos.  

Limpe as ferramentas e equipamentos com solvente orgânico, como xilol.

Aplicação Da Manta Asfáltica

 Aplicação De Manta Asfáltica Em Camada Simples

Em impermeabilizações comuns, como de lajes, terraços ou piscinas, recomenda-se 15% de perda/quebra sobre a quantidade levantada.

Em áreas pequenas ou atípicas, com grande número de recortes ouviradas, o consumo de manta deve ser estudado previamente.

As mantas sempre devem ser armazenadas na vertical e em locais limpos, secos, ventilados e distantes de materiais combustíveis e pontiagudos. Qualquer manta com dobra, amassado, corte ou dano deve ser recusada no momento da entrega.

No mínimo 6 horas após a aplicação da demão do Primer, deve-se aplicar as mantas asfálticas, com auxílio da chama de maçarico a gás.

Fonte: www.wmaconstrucoesereformas.com.br

Verificar se existe sobreposição mínima de 10 cm (exigência da NBR 9.952:2.014) e se os reforços sobre as emendas são executados (conhecidos como “biselamento” com maçarico ou asfalto).

Após a aplicação da manta asfáltica, o impermeabilizador deve fixar por cima desta, acima dos rodapés, nas viradas verticais das paredes, com pedaços de manta derretidos com auxílio do maçarico, a tela plástica nº 5 para conferir  boa aderência e evitarmos o trincamento dos revestimentos, que virão acima.

Após a fixação da tela plástica, o impermeabilizador deve aplicar por cima do conjunto de impermeabilização, a proteção mecânica, com argamassa fraca de cimento e areia com traço volumétrico de 1:4, com 1,5cm de espessura mínima, para áreas com trânsito normal, ou camada de concreto com espessura mínima de 7 cm e reforçada com tela metálica, para trânsito pesado.

Estas proteções mecânicas devem ser providas de juntas de movimentação transversais e longitudinais.

No encontro das proteções mecânicas com as viradas das impermeabilizações nas paredes (verticais), deve ser prevista faixa de isopor, para que a dilatação térmica destes revestimentos não danifique, posteriormente, esta região crítica de impermeabilização.

Aplicação De Manta Asfáltica Em Camada Dupla

Os procedimentos são os mesmos da manta asfáltica simples, com exceção da aplicação de 2 camadas de manta, sendo a primeira, de tipo II e aplicada sobre a superfície imprimada e a segunda, de tipo III, aplicada sobre camada separadora, constituída de papel kraft duplo betumado.

Aplicação De Manta Asfáltica Em Paredes De Altura Superior À 1 Metro

Recomenda-se aplicar a manta e ancorá-la com utilização de pinos galvanizados e adesivo epóxi, para melhor aderência e fixação, impedindo assim, que o peso próprio da água e dos revestimentos possa descolar a impermeabilização.

Teste De Estanqueidade

A NBR 9.975: 2003 – Impermeabilização – Seleção e Projeto – determina que, após a conclusão da impermeabilização, seja feito teste com lâmina de água, por um período de 72 horas, para posterior verificação da estanqueidade.

Também pode ser executado teste da impermeabilização com equipamento eletrônico (detector de descontinuidade), a fim de se verificar micro furos ou defeitos de fabricação em mantas asfálticas.

Engenheiro Civil Gustavo Fecci

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