Desmistificando: Por que os prédios de Santos são tortos?

Fala galera, tudo bem?! No post de hoje, vou falar um pouco sobre um problema da nossa amada cidade de Santos: Os prédios tortos da orla da praia. Aqueles que passam por ali, pela primeira vez, espantam-se com a inclinação de alguns edifícios. Mas, você sabe o porquê aqueles prédios se encontram nessa situação?

Na década passada foi feito um levantamento que constatou a existência, de quase 100 edifícios com problemas de recalque. Esses se localizam entre a Ponta da Praia e a Divisa de Santos e São Vicente, sendo que a maioria se encontra na Avenida Bartolomeu de Gusmão (entre a Avenida Conselheiro Nébias e o canal 6).

Isso tudo começou entre as décadas de 1950 e 1960, com o “Bum” do mercado imobiliário na Orla da praia. Os construtores da época, embora fossem avisados da situação do solo santista, ignoraram tal problema e construíram edifícios com mais de 10 andares sobre fundações rasas. Especialistas da época, após estudarem o solo do local, divulgaram os estudos sobre recalques e previsões sobre as possíveis inclinações. Foi informado que, prédios com até 10 andares não apresentariam problemas do gênero e que, superior a isso, seria necessário o uso de fundações profundas. Entretanto, a ganância falou mais alto, afinal, prédios menores eram considerados desperdício e fundações profundas custariam caro.

Só para entendermos o porquê da inclinação, veja a imagem abaixo:

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Essa é uma representação simples do que temos no solo de Santos. Ele é considerado o segundo pior solo do mundo, ficando atrás apenas da Cidade do México. Como podemos observar na imagem, a camada mais resistente do solo santista está a mais de 40 metros de profundidade. Esse tipo de situação exige o uso de fundações profundas, para construções robustas. Isso porque (explicando a grosso modo), o peso dessas construções gera a compressão na camada de argila marinha e, posteriormente, os recalques (causados pela concentração de carga em um dos pontos do edifício).

Além disso…

Outro fator que agravou essa situação é a proximidade desses prédios. Pois, a pressão causada no solo pelos prédios vizinhos gera sobreposições dos bulbos de tensões (superfícies que unem pontos com o mesmo acréscimo de tensão), que causa a inclinação lateral na edificação.

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Razão pela qual é comum você ver dois prédios inclinados para o mesmo lado, parecendo que vão se chocar.

Fonte: Site Globo G1
Fonte: Site Globo G1

Um exemplo de solução para o problema…

Nos anos 2000, o Edifício Núncio Malzoni, com uma inclinação de 2,10 metros, passou por uma obra para o seu realinhamento. Isso ocorreu devido a sua situação ter chegado a um ponto crítico na época e sua vida útil estar comprometida. O projeto realizado pelos professores Carlos Eduardo Moreira Maffei, Heloísa Helena Silva Gonçalves e Paulo de Mattos Pimenta, do Departamento de Engenharia de Estruturas e Fundações da Escola Politécnica da USP, foi inédito na época e virou referência, sendo visitado por engenheiros de vários países, como México, Canadá e Japão.

Explicando de forma resumida, porque o nosso intuito nesse artigo não é falar do Edifício Núncio Malzoni, para a correção do problema, foram postos 14 macacos pneumáticos de alta potência nas laterais do edifício. Tais equipamentos receberam pressão variável de até 900 toneladas para o erguimento da estrutura. Em paralelo ao erguimento, foram instaladas novas fundações (agora profundas) no local. Lembrando que esse processo foi iniciado em 1998 e durou até 2001, custando mais de 60 mil reais aos moradores do prédio.

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Até a próxima!

Amanda Lima.

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