Cal virgem e cal hidratada… Por que devemos saber a diferença entre as duas?

Fala galera, tudo certo?! Bom, como o próprio título desse post já sugere, vamos falar sobre CAL. Afinal, você sabe a diferença entre cal virgem e cal hidratada? Você sabe como cada uma delas deve ser usada? Aliás, para começo de conversa, você sabe de onde vem a cal?

De onde vem a Cal…

Para aqueles que não sabem, a cal é um material aglomerante, proveniente da calcinação das rochas calcárias, compostas por uma grande quantidade de óxido de cálcio, mais uma pequena parcela de impurezas como óxidos de magnésio, sílica, óxidos de ferro e óxidos de alumínio. Resumidamente, a rocha é extraída e passa por uma decomposição térmica (calcinação), a uma temperatura média de 900°C.

O produto gerado a partir do processo de calcinação é o que conhecemos por Cal virgem. Esse tipo de cal é apresentada na forma de grãos de grande tamanho e estrutura porosa ou em pó. Nesse estado, o produto já pode ser comercializado. Esse tipo de cal, para ser utilizada, precisa receber a adição de água. Quando a mesma é comercializada assim e, passa por hidratação dentro da obra, damos a esse processo o nome de extinção.

Quando a cal virgem passa pela extinção, ela libera certa quantidade de calor. Tal liberação de calor pode ser violenta, podendo chegar à 400°C, média ou lenta. Após a extinção, ela deve ser deixada de repouso, para ocorrer o envelhecimento da pasta. Para cal em pedra, o período pode variar de uma a duas semanas, dependendo da composição da cal (falaremos sobre essa composição mais abaixo). Já a cal em pó tem o período mínimo de um dia para tal processo. Depois disso, a pasta está pronta para o uso.

Entretanto, a cal virgem também pode receber a hidratação dentro da fábrica, recebendo o nome de Cal hidratada. Esse material pode apresentar a forma de flocos ou em pó. Tanto a cal hidratada, quanto a virgem, possuem a coloração branca.

Classificação da Cal

Até aqui, vimos que a cal pode ser classificada em Cal virgem e Cal hidratada. Mas, além dessas duas classificações, dentro de cada uma delas, podemos subclassifica-las…

De acordo com a composição química, a cal pode ser classificada em:

  • Cal cálcica: sua composição possui, no mínimo, 75% de óxidos de cálcio (CaO). Por essa razão, esse tipo de cal possui como característica a maior capacidade de sustentação de areia.
  • Cal magnesiana: Ela é composta por, no mínimo, 20% de óxidos de magnésio (MgO). Sua principal vantagem, na utilização em argamassas, é a capacidade de deixar as misturas mais trabalháveis.

Já quando analisamos a Cal virgem, podemos realizar uma classificação, conforme o aumento do volume da pasta, na fase de extinção (rendimento). Assim, podemos dividi-la entre:

  • Cal gorda: quando o rendimento da pasta é maior que 1,82. Isto é, uma unidade de volume de cal produz mais de 1,82 unidades de volume de pasta. Cal de composição cálcica se enquadra nessa classificação.
  • Cal magra: nesse caso, o rendimento da pasta é inferior a 1,82. Ou seja, para cada unidade de volume de cal, é produzida menos de 1,82 unidades de volume de pasta. A cal magnesiana é um tipo de cal magra.

Agora, quando falamos de Cal Hidratada, é possível realizar uma classificação, conforme sua pureza, granulometria e outras propriedades químicas e físicas:

  • CH – I: Cal hidratada especial (tipo I);
  • CH – II: Cal hidratada comum (tipo II);
  • CH – III: Cal hidratada com carbonatos (tipo III).

Nessa classificação, a CH I é classificada como a mais nobre. Já a CH III é denominada a mais pobre e a CH II fica no meio termo entre as duas. Desses 3 tipos, a CH I e a CH II são as mais usadas na construção civil, por terem maior capacidade de retenção de água e de areia, tornando-as assim, mais econômicas.

 

Cal virgem vs. Cal hidratada

Agora, vamos entender quais as vantagens e desvantagens no uso desses dois tipos de argamassa. Primeiramente, entendamos quais os usos, em geral, desse material na construção civil.

A cal, de modo geral, é empregada na construção civil para a confecção de argamassas de assentamento e revestimento, pinturas, misturas asfálticas, estabilização de solos, fabricação de blocos sílico-calcários etc. Quando adicionamos cal em nossa argamassa, ela dá à mistura diversas melhorias em suas características:

  1. Ela torna a argamassa mais trabalhável, fator que contribui para torna-la mais econômica, já que assim, pode-se aumentar a quantia de agregados à mistura;
  2. O custo de um saco de cal é relativamente barato e atrativo;
  3. Ela aumenta a retenção de água da argamassa, melhorando a aderência entre seus elementos;
  4. Ela diminui o fenômeno de retração nas argamassas, que nada mais é do que o aparecimento de fissuras, devido à redução de volume.

Além das vantagens citadas para a argamassa feita com cal, o uso desse material nas pinturas, garante às mesmas propriedades fungicidas e bactericidas.

Tendo uma visão geral sobre o uso da cal, vamos a particularidade de cada tipo:

A principal vantagem do uso da Cal hidratada é, justamente, o fato de sabermos que a mesma teve sua completa hidratação (afinal tal processo fora feito industrialmente). Tal fato facilita o manuseio do material, além de garantir a segurança do uso do mesmo (afinal, não haverá o risco de queimaduras, decorrentes dos processos de extinção e envelhecimento da pasta). Outra vantagem do uso desse tipo de cal está no fato da argamassa, feita com ela, ter a capacidade de ser usada logo após o preparo. Argamassas feitas com cal virgem, além de terem um tempo de espera para serem usadas, ainda podem apresentar problemas com relação à hidratação. Quando sua hidratação não ocorre por completo, a consequência é a formação de trincas e, até, queda do material.

As vantagens da pasta de cal virgem sobre a cal hidratada estão, diretamente, ligadas às propriedades físicas da argamassa gerada; A argamassa feita com cal hidratada possui menor rendimento de volume, menor trabalhabilidade da mistura e menor capacidade de sustentação da areia, quando comparada ao material feito com cal virgem.

Vale lembrar que, pela economia de tempo e espaço, atualmente se utiliza mais a cal hidratada dentro das obras, tornando o uso da cal virgem, cada vez mais raro.

Concluindo…

Podemos ver ao longo do artigo que, a cal é um material muito útil dentro da construção civil. Como muitos já sabem, na prática dentro de uma obra, dependendo da finalidade da argamassa, algumas vezes a cal é excluída de sua composição. Entretanto, não é para todos os casos que se pode tomar tal procedimento.

Além disso, vale ressaltar que, nem sempre se faz necessária a utilização de uma cal de melhor qualidade. Você precisa avaliar para que tal material será usado… Por exemplo, não é preciso fazer o uso de uma CH I (a mais nobre das Cales hidratadas) para fazer uma argamassa de assentamento de bloco! Você precisa medir a sua necessidade com a propriedade do material a ser escolhido.

Ah e para aqueles que querem saber mais sobre a Cal, podem ter mais informações através das normas NBR 6453 e NBR 7175.

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Até a próxima!

Amanda Lima

Fontes bibliográficas desse artigo:

HAGEMANN, Sabrina Elicker. Aglomerantes. Apostila de Materiais de Construção Básicos. Universidade Aberta do Brasil, Instituto Federal Sul-rio-grandense. 2. Ed. 2011. 127-130p.

MARTINS, Juliana. Cal. Equipe de Obra. 57. Ed. Março 2013. Disponível em:<http://equipedeobra.pini.com.br/construcao-reforma/57/cal-confira-as-diferencas-entre-os-tipos-e-saiba-278173-1.aspx>. Acesso em 16 março 2017.

SANTOS, Altair. Cal Virgem ou Hidratada?Cimento Itambé. Disponível em:<http://www.cimentoitambe.com.br/cal-virgem-ou-hidratada>. Acesso em 16 março 2017.

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